Tuesday, October 31, 2006

sinal dos tempos

Notícia publicada no terra.com.br hoje:


Fotos da atriz Marcia Cross, 44 anos, a Bree de Desperate Housewives, nua foram encontradas no lixo de sua casa em Los Angeles.

Um homem contratado por uma empresa para remover o lixo da residência de Marcia afirma ter encontrado as fotos.

"Há algumas fotos dela tomando banho. Ela está maravilhosa", disse o agente do homem, Davis Hans Schmidt, ao New York Daily News.

Foram encontradas mais de 200 fotos pessoais da atriz. "As fotos não foram roubadas. Quando você joga algo fora, você perde o direito sobre o objeto", afirmou Schmidt que está tentando vender as imagens.

O advogado de Marcia afirmou que não importa onde as fotos foram encontradas e que elas pertencem a sua cliente de qualquer maneira.


Celebridades peladas? Cara, estou cagando para isso. Não tem mais valor socio-cultural nenhum.

Mas o fato de um lixeiro ter um agente - um AGENTE - é um sinal de que estamos próximos do fim. (Nada contra lixeiros, mas é a mesma coisa como se eu tivesse um agente. Ou a minha cachorra.)

De alguma maneira bizarra que só a minha cabeça entende a lógica eu relaciono isso ao post do Daniel Galera sobre como a vida simples está mais complicada, e com o texto (linkado pelo próprio) publicado no Telegraph sobre como ninguém mais cresce de verdade. A última geração de adultos está morrendo, eu acho.

Saturday, October 28, 2006

100

No centésimo post.


1. Foi só ao ver Matchpoint na tv que eu percebi algo que deveria ser óbvio há mais tempo: Woody Allen funciona bem melhor em inglês. Inglês da Inglaterra, quero dizer. Sei lá quando foi que ele percebeu que fazer filme na Europa era mais legal. Talvez ele faça porque é mais rentável, ou mais barato, sei lá. Mas o que eu acho mesmo é que todo aquele clima de ópera, e literatura, e discussões culturais, e homens e mulheres que se vestem tão bem, e que frequentam cafés e galerias de arte é muito mais interessante na Inglaterra. E eu fico imaginando como seria um filme dele na Alemanha.

Não que não funcione em Nova Iorque, de jeito nenhum. Mas é mais charming.


2. O filme saiu ano passado, ou retrasado, acho. Mas só agora vi, depois da recomendação sempre cautelosa de um amigo. Este amigo está de blog agora, como quem descobre a esposa grávida e não sabe o que fazer. (Se bem que, com dois posts, já dá para saber que é um pai nato, e certamente escreve muito melhor que eu - apesar de escrever predominantemente sobre esportes. Nada contra esportes, mas acho que seria um excelente blog que ninguém lê sobre outros assuntos além de esporte.)


3.
A lista de livros por ler antes de se pensar em comprar algum já está em 34. A leitura atual é Jonathan Strange & Mr. Norrell, sobre o qual escrevo escrever no futuro. O que posso dizer é: é um livrinho muito bizarro. Do tipo que gasta duas páginas inteiras com uma nota de rodapé descrevendo uma jurisprudência em um mundo fictício em que a magia existe. Mas, vocês sabem. charming.

4. Centésimo post.

Wednesday, October 18, 2006

Believer Magazine

Que pérola mais legal esta tal de Believer Magazine.


Encontrei há um tempo atrás fuçando coisas sobre a Tina Fey (que por sua vez veio de uma busca pelo novo seriado 30 Rock, que veio de uma série de comparações que aconteciam entre 30 Rock - que foi criada por Fey - e Studio 60 - que foi criada pelo melhor escritor da televisão. Mas divago. Escreverei mais sobre Studio 60 no futuro); e acabei encontrando muitas outras coisas legais. Resenhas de livro da Kelly Link, colunas da Sarah Vowell, entrevistas com Sarah Silverman, David Sedaris e Lorrie Moore. Quanto mais eu cavo mais eu acho, e estou quase feliz que a revista tenha tão pouco tempo de vida, afinal, se tivesse já uns três anos a mais do que tem eu já estaria completamente perdido e com leituras prontas pelos próximos meses.

A grande merda é que apenas alguns conteúdos são disponíveis integralmente. A Livraria Cultura nunca ouviu falar da revista, o que impossibilita aquela compra avulsa sem compromisso.

Em outras notícias: a tal da Revista Piauí é bem boa. Mas prevejo fim pior que o da Bundas. Blogosfera comentando bastante no entanto. Mas sabe-se que blogosfera não mantém nada no ar. (O Parada tem um texto bacana sobre o assunto comentando)

Wednesday, August 16, 2006

Thursday, July 27, 2006

próxima parada: haikais

ClicRBSTerra que lê Boing Boing.

Atenção nas datas e horas.

Poema hypermoderno. Publicarei no meu livro de poesias do futuro. (hah).

Monday, July 24, 2006

heavy boots

Traduzido por Daniel Galera, o livro Extremamente Perto & Incrivelmente Alto de Jonathan Safram Foer é um livro muito legal. Narradores mirins super-espertos (ou nem tanto) são sempre garantia de simpatia, e realmente não dá para entender pessoas que gostam de Harry Potter. O guri é muito burro.


Galera fala aqui sobre aquela sensação estranha de ver uma tradução sua publicada. "Fico com as botas extremamente pesadas". O No Mínimo cola uma pequena parte aqui. Mantiveram a capa original, o que parece ser algo muito bom, já que todos estão falando a respeito. (Eu não entendo de capas, mas compro livros quando gosto delas.).


Tuesday, July 04, 2006

a voz de uma geração

Este artigo da Time tenta esclarecer quem é o autor que representa a atual geração de escritores norte-americanos (ou de língua inglesa, vá lá). Particularmente, eu não vejo uma geração propriamente dita - discussão que pode se estender mesmo para os limites do nosso território tupi-literário - e devido a essa falta de unidade, digamos editorial, não poderia haver um expoente, um farol.

Os caras da Era do Jazz se preocupavam em escrever sobre bebidas, e corridas (fossem de carros ou de cavalos), e mulheres, e mais bebida. (Estou falando sem propriedade nenhuma, na verdade estou falando apenas de Fitzgerald e Hemingway,e mesmo assim, sem propriedade nenhuma sobre esses dois). Mas eles tinham uma interesse em temas que eram próximos a eles. Escreviam de maneiras diversas uns dos outros, mas tinham interesses parecidos, em bebida, e mulheres, e bebida
, e conflitos armados. Esse era o ponto de corte deles.

Os autores com menos de 40 anos de hoje têm em comum a forma. Ou a falta dela. Prefácios moderninhos, formatação diferenciada, piadinhas já nos agradecimentos, mistura de ficção e não-ficção, imagens e fotos misturadas no texto. Esse tipo de coisa. Nada contra, claro. Eu amo muito tudo isso. Mas é só isso que eles têm em comum, o fato de que se diferem tanto a ponto de não terem nada em comum. São iguais em serem diferentes. O artigo menciona alguns autores jovens bem interessantes, como Zadie Smith, Jonathan Safran Foer e Jhumpa Lahiri (grande chances de se encontrar uma grafia errada ali), e desconsidera como vozes desta geração David Foster Wallace e Jonathan Franzen - que já seriam velhos demais, são vozes de outra geração; o que é meio absurdo.

Se ser a voz de uma geração significa escrever pela primeira vez - e não necessariamente da melhor maneira - sobre como se sente, se comporta e se movimenta a mais nova geração de pessoas, então talvez não encontremos ninguém. Nem aqui nem lá.

"Writers are always speaking for themselves and not for a generation. I don't know if they want that responsibility. I think it's something that nobody would feel comfortable with unless the ego was completely untrammeled."
Não sei se é uma questão de responsabilidade. Se eu fosse um escritor publicado, talvez tivesse vergonha em ser reconhecido como a voz desta geração. Ou da última. Ou da próxima. O que mais percebo em entrevistas de autores com menos de 40 anos no Brasil de hoje, é uma reticência em se enquadrar em um grupo, em uma geração literária. Talvez isso aconteça por que queiram se diferenciar dos outros escritores, mas eu acho mesmo é que eles querem se diferenciar das pessoas.

Wednesday, June 28, 2006

Is anyone else out there drumming their fingers waiting for the superhero craze to be over? I mean, it's not impossible. Westerns had their day in the sun and now are revisited mainly as genre curiosities (or when there's something really hip to do with them, as in HBO's Deadwood). Musicals came and went, as did films about mutant insects turned giant by atomic radiation. But 28 years after Richard Donner's Superman: The Movie, the No. 1 mythical archetype at the box office—with the possible exception of the Italian gangster—is still the dude in a cape with the secret powers and the schleppy* everyday life.

Concordei com ele, mas por motivos totalmente diferentes.

De qualquer modo, a comoção em torno de filmes de HQ continua. Aguardo ansiosamente um filme sobre Turok, the Dinosaur Hunter. Daí quero ver se essa coisa continua.

* Alguma relação com shleper? Será? Alguém que entende íidiche e lê este blog, por favor? Flashbacks dolorosos acometeram minha mente agora. Devido a isso, terei que desafogar a angústia postando mais frequentemente. Se eu pudesse nomear um culpado eu faria, ah eu faria. Mas infelizmente não posso. Isso se chama medo.

Tuesday, May 30, 2006

Ninguém vai entender, mas vá lá.


Depois de vários anos, eu finalmente tomei vergonha na cara e decidi terminar de ler uma série de livros que eu gosto muito. E acho que dá para dizer que o gostinho da familiaridade é uma coisa fenomenal.
Nada pode ser mais legal que, ao abrir o livro* na página 9, ler um diálogo de Tas e Caramon sobre como eles estão perdidos, e captar uma referência à vez em que Tas liderou todo o bando em direção a uma cidade-porto coberta de areia por todos os lados (Tarsis, no primeiro livro de Dragões da Noite de Inverno**).

É engraçado, há uns 14 anos eu comecei a ler estes livros. Há uns dez anos eu vi uma edição hardcover de Dragons of Summer Flame em uma viagem à Disney; mas não comprei (porque era um cagado e fiquei com medo de ficar sem dinheiro, apesar de gastar uma fortuna em badulaques e fast-food), mas corrigi o erro semana passada - em paperback. Há uns três anos eu voltei a ler os livros mais novos, em especial da fase Age of Mortals, com a volta de Weis e Hickman. Nesse ritmo vou ler os livros todos da coleção em uns duzentos e cinquenta anos, o que me parece improvável. Altamente improvável.

Que série legal essa. Elven Nations Trilogy Boxset: aí vou eu.

* O 'livro' em questão é The Test of the Twins

**As edições da Europa-América sempre eram lançadas em dois livros. Aparentemente os lusitanos não sabem encadernar.

Wednesday, April 19, 2006





Hum, coisa mais bizarra que eu vi hoje. E hoje eu vi muita coisa bizarra.


Obrigado ao Filisteu por quinze minutos ininterruptos de riso.
Não se comenta sobre o Oscar. Parei de ver filmes.

Tuesday, January 17, 2006

raindrops

Premiação legalzinha. Os melhores discursos foram os de melhor ator em televisão (comédia e drama) certamente. Quando eu achei que Hugh Laurie tinha detonado Steve Carell apareceu e fez um dos discursos mais legais.

De resto foi mais ou menos. Quero ver Capote, cowboys gays - não Rocky e Hudson e sim os outros - Empire Falls, o The Office versão americana e Good Night and Good Luck.

Apostas para o Oscar:

filme: Brokeback Mountain
diretor: Ang Lee
roteiro: Brokeback Mountain
ator: Phillip Seymour Hoffman
atriz: Felicity Huffman (hum, a cacofonia vai ser engraçada)

Talvez Reese Witherspoon tenha chance se fizerem sua indicação como Atriz Coadjuvante.

Lista completa aqui.

Monday, January 16, 2006

grande descoberta (perhaps)

Notícia interessante, porém não nova. Já havia lido sobre o assunto em alguns textos, mas é a primeira vez que vejo aparecer em mídias mais convencionais.

Em um ano de Freys e coreanos fraudadores, entretanto, todo o cuidado é pouco. Com a sorte que andamos, pode ser que isso se prove uma mentira sem tamanho.

Saturday, January 14, 2006

life on mars

Recomendada por Warren Ellis na sua lista de e-mails , a série da BBC Life on Mars é bastante interessante. Previsão de oito episódios - o primeiro foi ao ar dia 9, o segundo vai ao ar dia 16 - com uma história fechada, sobre um policial inglês que depois de ser atropelado no ano de 2006 acorda no ano de 1973, ainda policial mas com umas lapelas a mais.

O primeiro episódio foi bom. E, como Ellis disse, algo que parecia ser ruim se mostrou interessante e até mesmo bizarro em algumas partes. Espera-se que não dê merda.

torso

Excelente notícia. Finalmente uma das obras mais legais da fase independente de Brian Bendis sairá em versão cinematográfica.

Na série Fortune and Glory, Bendis mostrava como eram as negociações em Hollywood quando tentava vender os direitos e o roteiro de AKA Goldfish. Sua tentativa de escrever o roteiro do filme foi engraçadíssima, especialmente porque ele, como um autor mais do que prolixo, não conseguia entender que tinha que cortar texto. Cortar texto, vejam só.

Mas o momento mais hilário de toda a série, certamente, foi quando um grupo de produtores se interessou por Torso. Quando um dos produtores pergunta com quem estão os direitos do personagem Elliot Ness, Bendis responde:

"Com ninguém. Ele existiu de verdade. Não existem direitos."

O produtor retruca:

"Não pode ser. Este é um personagem inventado, alguém deve ter os direitos sobre ele. E mais, podemos talvez fazer ele mais jovem. Tipo, uns 21 anos.?"

Isso me faz pensar que talvez essa não seja uma notícia tão excelente assim. Mas eu sou um esperançoso.

Wednesday, January 11, 2006

lagostas

Quero ler este livro.

David Foster Wallace parece ser uma daqueles autores que merecem ser lidos (e isso é baseado em entrevistas apenas), e, apesar de ter lido apenas uma obra sua (Breves Entrevistas com Homens Hediondos, traduzido) e de não ter nem chegado perto ainda da obra magna Infinite Jest (titânico livro de mais de mil páginas) sinto que vou começar mesmo por esse livro de ensaios.


Não-ficção pode ser uma dessas coisas muito, mas muito, chatas. Quando feita de uma determinada maneira, entretanto, ensaios podem trazer textos cheios de vida e opinião. Acho que esse é um desses casos.

No livro, Wallace escreve sobre a ética e a moral de se comer animais e sobre se e como os mesmo sentem algum tipo de dor quando são sacrificados. O título do livro ainda é seguido de outros, como a quase-reportagem que Wallace fez para a revista Premiere cobrindo o AVN Awards*. Ninguém grita newjournalism antes de ler o livro.

Recentemente publicado no Brasil, o autor das notas-de-rodapé** provavelmente não fará sucesso algum.


* O Oscar da Pornografia, para os menos chegados em saber de tudo.
** Isso é meio verdade. Suas notas de rodapé às vezes dariam um livro inteiro. É um dos motivos pessoais de eu gostar dele. Sempre achei que se eu fosse escritor colocaria toneladas de notas de rodapé em tudo que escrevesse. Inclusive notas sobre as notas - coisa que ele mesmo já fez e faz - ; mas daí vieram os textos de sociologia e estragaram tudo.

números da caminhada no parcão

Número de iPod Nano vistos: 2

Número de pessoas correndo: menor que o normal (calor)

Número de nerds gordos sentados nos bancos: um a menos, eu estava caminhando.

Número de Golden Retrievers: maior que o normal. Acho que o Golden Retriever é o Cocker Spaniel desta estação.

Tuesday, January 10, 2006

o problema com as editoras? não. o problema com os jornalistas.

De vez em quando um jornal fica sem pauta, eu imagino. Isso deve acontecer. Não cheguei a ver isso nas aulas de Introdução ao Jornalismo mas certamente acontece vez que outra em qualquer editoria.

Daí vêm os testes. As matéria de jornalista na pele de alguma profissão. Os perfis suspeitos. Desta vez, decidiram redigitar alguns livros aclamados e ganhadores de prêmios e enviaram para editoras. Que prontamente os recusaram. Li algumas opiniões sobre o assunto aqui e ali. Neil Gaiman não achou o assunto digno de muita nota, esclarecendo que livros novos são recusados o tempo todo. Provavelmente é a posição mais sensata neste caso. Mesmo em um mercado editorial como o da língua inglesa onde, eu imagino, as vendas andam não-ruins.

No caso, os livros redigitados e apresentados como manuscritos originais eram de Stanley Middleton e V.S. Naipaul (escritor inglês de origem centro-americana ganhador do Nobel de literatura). Gaiman sustenta que provavelmente alguns editores recusaram o livro porque perceberam que alguém mandara um livro famosíssimo e não quiseram discutir porque: ou era uma brincadeira, ou era algum lunático perigoso. Para mim era os dois. E não só na conjectura.

Mas há um problema. Pelo menos uma editora recusou o livro e acrescentou uma nota explicatória, em que julgava as qualidades do livro, mas não falava nada a respeito de ele ser uma cópia de um vencedor do Booker Prize. Isso sim é bizarro. Mas é só minha opinião, obviamente.

Eu ainda queria ver testada uma teoria. Algum escritor com reconhecimento positivo da crítica e do público deveria tentar escrever e submeter ao crivo de editoras um livro muito ruim. Como as roupas do imperador, gostaria de saber quem iria dizer a verdade antes de todos os outros.

(Pensando bem, acho que isso já foi feito; sistematicamente, ainda por cima. Só esqueceram de avisar a todos.)

Tuesday, December 13, 2005

mononucleose

E a tal da banca foi boa, afinal. Na verdade, umas duas ou três dessas por semestre não seria uma coisa ruim. O trabalho ficou bom, nada de mais, com uns defeitos claros e visíveis, e talvez com outras tantas qualidades menos perceptíveis.

A nota? Não importa. Não muito. O legal foi poder falar sobre o assunto.

Agradecimentos públicos ao Professor Mestre Roberto Tietzman pela confiança.